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O PODER DO ESPÍRITO SANTO: UMA JORNADA DE CAPACITAÇÃO PARA O REINO

Durante séculos, a Igreja tem buscado compreender a plenitude da obra do Espírito Santo na vida dos crentes. Jesus, em seus encontros pós-ressurreição, deu aos seus discípulos uma ordem clara: não saiam de Jerusalém, mas esperem pela promessa do Pai – o batismo no Espírito Santo. Ele prometeu que eles receberiam poder quando o Espírito Santo descesse sobre eles, capacitando-os a serem Suas testemunhas até os confins da terra. Esta ordem foi levada a sério pelos primeiros discípulos, que se engajaram em oração ativa e proposital por muitos dias, aguardando essa promessa. Eles oravam para que o Espírito Santo descesse sobre eles, como Jesus havia prometido.
 

evidente que Jesus não imaginou que a Igreja pudesse cumprir sua tarefa missionária sem o poder do Espírito Santo. A missão da Igreja primitiva, com seu testemunho bem- sucedido, pregação, sinais e maravilhas, evangelismo e crescimento, baseou-se inteiramente na capacitação que receberam. Mas, como obedecemos a esse mandamento hoje e como buscamos essa capacitação?
 

Evitando a Paralisia: A Abordagem "Tanto/Quanto" de Wimber
 

A questão da vinda do Espírito Santo e o significado do "batismo no Espírito Santo" tem sido motivo de muitos debates e, por vezes, paralisia doutrinária entre evangélicos conservadores e pentecostais. Nesse cenário, John Wimber estava notavelmente à frente de seu tempo ao defender uma posição de "tanto/quanto" (both/and).
 

Wimber observou que Paulo e Lucas usaram o termo "batismo no Espírito Santo" de maneiras diferentes.
 

  • Paulo utilizou o termo para descrever uma ação inicial do Espírito Santo que incorpora o indivíduo ao corpo de Cristo na conversão (especialmente 1 Coríntios 12:13). Para Paulo, ser cristão é ter o Espírito vivendo em você; sem o Espírito, não se pode ser cristão (Romanos 8:9-11). Essa recepção do Espírito ocorre na regeneração ou novo nascimento (Tito 3:4-7). A ênfase de Paulo está na obra regeneradora e santificadora do Espírito.

  • Lucas, por outro lado, empregou o termo para explicar um indivíduo capacitado para testemunho e serviço eficazes, uma experiência que pode ser repetida. Lucas utiliza um conjunto de termos – a promessa do Pai, ser revestido de poder, ser batizado com o Espírito Santo, receber poder, ser cheio do Espírito Santo – que geralmente descrevem uma obra profética e fortalecedora do Espírito, distinta da conversão e regeneração.
     

Wimber acreditava que "não há nas Escrituras, nenhum padrão ou fórmula discerníveis sobre como o Espírito cai sobre nós". Ele propôs que a conversão é verdadeiramente um batismo no Espírito Santo, e que também podemos usar o termo para nos referir a "enchimentos" subsequentes do Espírito. O importante é que a obra de conversão e a obra de capacitação de Deus precisam ocorrer, podendo ser simultâneas, sequenciais, ou com um intervalo de tempo.
 

Estudiosos como Peter David's e Craig Keener, além de Howard M. Ervin, reforçam a visão de que cada escritor do Novo Testamento usa a linguagem de "batismo" e "dom do Espírito" à sua maneira, e que o contexto é crucial para determinar o significado de uma palavra. É um erro teológico tentar impor o significado que Paulo dá ao Espírito ao que Lucas descreve, ou vice-versa.
 

Duas Visões da Obra do Espírito: Simultaneidade vs. Subsequentemente
 

Historicamente, estas duas visões da obra do Espírito levaram a um longo debate:
 

  • Pentecostais, utilizando Atos, ensinam que o batismo no Espírito é posterior à conversão.

  • Evangélicos, seguindo Paulo e lendo Paulo na narrativa de Atos, ensinam que receber o Espírito é simultâneo com a conversão.
     

É interessante notar que os evangélicos protestantes são bastante isolados nesta visão, já que os Padres da Igreja, a tradição católica e anglicana, o metodismo e o movimento de santidade, e os pentecostais, todos veem algum tipo de subsequência.
 

As Lentes do Reino: Uma Compreensão Abrangente
 

Para harmonizar essas visões, as "lentes do Reino de Deus" oferecem uma perspectiva valiosa. O reino é a irrupção dos poderes da era vindoura nesta era, através de Jesus e do Pentecostes. A chegada do reino não foi um evento único, mas uma série de intervenções, como:
 

1. O nascimento de Jesus: o alvorecer de uma nova era, repleta de fenômenos proféticos.

2. O batismo de Jesus: o momento da unção messiânica.

3. A transição de João Batista para Jesus: um ponto de viragem fundamental na história da redenção.

4. Todo o ministério de Jesus: suas palavras e obras demonstraram a chegada do reino.

5. A cruz: o dia do juízo que ocorre antes do juízo final.

6. A ressurreição: a revelação da realidade da era futura.

7. O Dia de Pentecostes: descrito por Pedro como um fenômeno dos "últimos dias".
 

Essa série de chegadas demonstra que há uma "subsequência" natural na manifestação do Reino, com cada momento sendo subsequente ao anterior.


Da mesma forma, a obra do Espírito Santo é multifacetada e inclui diversas interações:

 

1. Criação: O Espírito relaciona-se com todas as criaturas.

2. Vida humana: O Espírito relaciona-se com todos os humanos, tornando-os portadores da imagem divina.

3. Convicção do pecado: O Espírito relaciona-se com a humanidade não regenerada.

4. Regeneração: O Espírito relaciona-se com os cristãos, no novo nascimento.

5. Transformação: O Espírito relaciona-se com os cristãos, na santificação.


6. Capacitação para o serviço: O Espírito relaciona-se com a pessoa regenerada, conferindo poder.

7. Glorificação: O Espírito se relacionará com a regeneração da humanidade.

 

Todas essas obras podem ser vistas como "subsequentes". É melhor descrever cada uma como aspectos distintos da obra multifacetada do Espírito Santo, sem reduzir tudo a uma única experiência. O Espírito vem, como o Reino vem!
 

Pentecostes: Uma Unção Profética e de Sucessão
 

Lucas, em Atos, conecta o Pentecostes a uma visão do Antigo Testamento do Espírito Santo como unção profética. Ele o apresenta como uma narrativa de sucessão, onde a unção messiânica que estava sobre Jesus é derramada sobre os apóstolos. Assim como Eliseu recebeu uma "porção dobrada" do espírito de Elias ao vê-lo subir ao céu, os discípulos viram Jesus ascender e, como resultado, receberam a capacitação do Espírito no Pentecostes. Isso é um paralelo à sucessão de Moisés para Josué.
 

Pedro explica o Pentecostes citando o profeta Joel, destacando sua natureza de restauração profética do fim dos tempos. O dom do Espírito, que antes vinha sobre "servos especiais", é agora derramado sobre "toda a carne" para que "profetizem". Lucas enfatiza os "últimos dias" e a profecia, indicando que o espírito de profecia, há muito ausente em Israel, estava retornando.
 

Profetizar funciona como um termo abrangente para fenômenos como línguas, curas, dons de revelação, sonhos e visões. A igreja agora se torna a "companhia dos profetas", operando em uma diversidade de dons proféticos.
 

Além disso, o Antigo Testamento mostra uma relação clara entre comissionamento e capacitação. Figuras como Moisés, os anciãos, Josué, Gideão, Sansão e Saul foram primeiro comissionadas para uma tarefa e depois capacitadas pelo Espírito para cumprir essa comissão. Para os discípulos de Jesus, os encontros da ressurreição foram a experiência de comissionamento, e o Pentecostes foi a unção profética que os capacitou a cumprir essa comissão.
 

Portanto, o termo "subsequência" pode não ser o ideal, pois a questão não é o tempo exato, mas a natureza distintiva do poder profético do Pentecostes. O Pentecostes não foi o momento em que os discípulos foram salvos; eles já haviam nascido de novo. Foi um evento de unção profética para o serviço, permitindo-lhes continuar o que Jesus "começou a fazer e a ensinar".
 

A Experiência Cristã Hoje: Expectativa e Realidade
 

Ao olharmos para a experiência cristã hoje, é crucial que as Escrituras tenham autoridade sobre a experiência, mas também reconhecer que há uma relação cíclica entre elas. Aqueles que viveram fenômenos de avivamento semelhantes aos de Atos podem ter uma compreensão mais profunda do texto.
 

Os casos de "subsequência" em Atos (Jesus, os discípulos, os samaritanos, Paulo, os efésios) mostram que o Espírito pode vir em momentos distintos da conversão. Embora haja debates sobre a interpretação de cada caso, é difícil negar que alguns casos em Atos parecem apresentar uma clara subsequência.
 

Wimber, em sua flexibilidade, endossa diferentes tipos de experiências:
 

1. Subsequência clara: Pessoas que podem descrever o dia de sua conversão e um dia posterior de capacitação distinta com o Espírito Santo.

2. Simultaneidade clara: Pessoas que relatam uma experiência de fé e uma entrada imediata na dimensão carismática do Espírito.

3. Subsequência e múltiplos enchimentos: Conversão, uma entrada posterior no carismático e, então, uma série de experiências semelhantes ou crescentes.

4. Simultaneidade e múltiplos enchimentos: Conversão e uma série de encontros carismáticos, sem um evento subsequente único.
 

Qualquer ensinamento que diga que você "já conseguiu tudo" e não deve esperar ou buscar mais capacitação do Espírito Santo não é bíblico. Há uma diferença clara entre salvação e unção para o serviço, e Jesus nos ordenou ir além de apenas conhecê-lo como Salvador e Senhor.
 

Como Você Sabe Se Recebeu a Unção Pentecostal?
 

A resposta a essa pergunta é profundamente pessoal e não deve ser imposta por doutrinas rígidas. No entanto, existem algumas pistas úteis:
 

1. É uma obra externa e manifesta: Diferente do testemunho interior de regeneração, o Pentecostes é um derramamento que se "vê e ouve" (Atos 2:33), com fenômenos observáveis.

2. Profetizar: O termo descritivo mais usado nas Escrituras para esta obra é "profetizar" (Atos 2:17-18). Falar em línguas se encaixa nessa categoria e é o fenômeno mais comum em Atos e na experiência cristã hoje, embora não seja o único ou indispensável sinal. A profecia pode incluir louvor extático, como visto em 1 Samuel 10:5-9 e 2 Crônicas 25:1-3.

3. Uma "vinda" que domina o corpo: O Espírito "cai" ou "vem" sobre a pessoa de forma que afeta o corpo, a mente e as emoções. Isso pode incluir tremores, quedas, sensações de calor ou energia, ou alegria extática que leva a risos ou louvor.

4. Imposição de mãos: Muitas vezes, a capacitação do Espírito vem através da imposição de mãos, um meio de transmissão, como nos casos dos samaritanos, Paulo e os efésios. Ambientes de avivamento, onde há uma "zona de poder", também são comuns para essa experiência.
 

É crucial lembrar que, embora esses sejam fenômenos bíblicos e históricos, não devem ser o foco da busca. Eles acompanham a capacitação do Espírito. O critério e resultado mais importante é o poder para testemunhar, a ousadia para cumprir a comissão de Jesus, como Pedro demonstrou após o Pentecostes.
 

A capacitação pentecostal do Espírito é frequentemente a porta de entrada para os dons carismáticos – de revelação, cura e libertação – que fortalecem a missão do evangelho. É importante notar que não se trata de um evento único; a história de Atos aponta para "muitos enchimentos", pois "tendemos a vazar".
 

Embora o Espírito possa nos encher quando estamos a sós com Deus, o padrão em Atos é frequentemente um evento comunitário. Líderes da igreja, conscientes do mandamento de Jesus e da necessidade do poder de Deus, devem criar expectativas e facilitar momentos de oração focada para a recepção do Espírito, muitas vezes seguindo o batismo nas águas com a imposição de mãos.
 

Conclusão: O Espírito Vem, Como o Reino Vem!
 

Com as lentes do reino, compreendemos que a obra do Espírito é tão rica e multifacetada quanto a própria manifestação do Reino de Deus. Não precisamos reduzir as experiências a uma única fórmula, mas podemos abraçar a diversidade da obra do Espírito, que nos capacita de maneiras variadas para cumprir a grande comissão de Jesus.
 

Pense na obra do Espírito como uma caixa de ferramentas divinas. Assim como uma caixa de ferramentas contém diversas ferramentas (martelo, chave de fenda, serra, etc.), cada uma com uma função específica, o Espírito Santo tem múltiplas obras e manifestações. Todas as ferramentas são importantes e vêm do mesmo mestre para a mesma construção (o reino de Deus), mas são usadas em momentos e para propósitos distintos, capacitando-nos a construir e reparar conforme a necessidade. Não teríamos uma caixa de ferramentas completa se pensássemos que apenas um tipo de ferramenta é suficiente para todas as tarefas. Da mesma forma, não experimentamos a plenitude do Espírito se limitarmos sua obra a uma única experiência ou função.
 

Fonte: Resumido por IA do livro Demonstrating the Kingdom - Tools for Christian Discipleship, de Derek Morphew, Vineyard International Publishing (2019)


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