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LEMBREM-SE DOS POBRES: UM CHAMADO ESSENCIAL DA IGREJA E O CORAÇÃO DO EVANGELHO

O chamado para “Lembrem-se dos pobres” tem sido uma prática essencial e um valor central para o Movimento Vineyard desde a sua existência, ocupando um lugar de destaque no modo como se enxerga a missão de Deus na terra.
 

Uma visão bíblica define os pobres, de modo geral, não apenas como aqueles que sofrem fracasso financeiro, mas como os menos afortunados, vulneráveis e marginalizados pela sociedade. São aqueles que não têm suas necessidades básicas atendidas, faltando-lhes recursos, poder e voz, o que frequentemente resulta em falta de respeito social e afeta seus relacionamentos devido à preocupação diária com a sobrevivência. A pobreza é uma doença da sociedade, e o remédio para os males sociais encontra-se na vida e nos ensinos de Jesus.


Nas Escrituras, Deus demonstra ter um lugar especial em Seu coração pelos pobres, mencionando a pobreza, direta ou indiretamente, mais de 2000 vezes na Bíblia. Jesus, ao declarar o Seu ministério público, estabeleceu Seu manifesto: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos” (Lc. 4:18). O Evangelho do Reino é a boa notícia pregada aos pobres oprimidos, prometendo que a cura, a salvação e a ajuda econômica são deles, pois o poder do opressor foi quebrado.


A Igreja primitiva recebeu o mandato de continuar a prática de Jesus, buscando os pobres e lhes dando dignidade com cuidado. O Apóstolo Paulo relatou o único pedido dos pilares da Igreja de Jerusalém ao aprovar sua missão de plantação de igrejas: “Somente pediram que nos lembrássemos dos pobres, o que me esforcei por fazer” (Gl. 2:10). Esta é uma linha de prumo significativa para a fidelidade da igreja.


Pontos Principais: A Centralidade dos Pobres e a Resposta da Igreja


Os Pobres São Jesus para Nós e o Princípio da Misericórdia


Jesus ensinou Seus seguidores a ver os pobres não meramente como desprivilegiados ou carentes, mas a vê-los como a Ele próprio, identificando-se profundamente com eles ao dizer: “Digo-lhes a verdade: o que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram” (Mt. 25:40). Servir os pobres deve ser como servir o próprio Jesus.


O envolvimento com os pobres surge do fato de que, como pecadores, nossa única posição diante de Deus depende totalmente de Sua misericórdia. Nós nos inclinamos aos que sofrem e aos fracos, não por nos considerarmos melhores ou capazes de resolvê-los, mas porque nós mesmos experimentamos a bondade e a misericórdia de Deus. Essa misericórdia só pode ser verdadeiramente recebida na medida em que estamos dispostos a dá-la. Pessoas gratas, que conhecem a alegria da salvação, estão mais prontas a responder com cuidado do que com julgamento. Como Jesus disse: “A quem muito é perdoado, muito ama” (Lc. 7:47).


O objetivo de Deus é nos curar da opressão de uma realidade de pobreza, libertando-nos para desfrutar e compartilhar Sua abundância com os outros.

 

John e Carol Wimber: Compromisso Radical
 

John Wimber, o fundador do Vineyard, era conhecido por sua ternura pessoal pelos pobres. Ele frequentemente mantinha uma sacola com itens de cesta básica no porta-malas de seu carro, procurando constantemente alguém para doá-los. Wimber era veementemente contra o materialismo que neutraliza a Igreja:
 

“Muitos crentes e líderes cristãos foram dominados pelo amor ao dinheiro e pelo materialismo. A idolatria à riqueza torna-se um fardo que suga nossa energia bem como nosso amor por Deus e pelas pessoas. Através do arrependimento e da purificação do perdão, podemos nos livrar deste fardo e deixar Deus transformar nosso sistema de valores. Como Jesus e Paulo, podemos aprender a estar contentes com o que temos, vivendo modestamente para que possamos dar liberalmente à obra do Reino e suprir as necessidades de outros.”.


Wimber também ligava o poder do Evangelho à justiça social, afirmando que “O mesmo Senhor que dá vista aos cegos e cria milagres através das nossas mãos é Aquele que alimenta os famintos através das nossas mãos e zela pelo imigrante. Devemos nunca ignorar os pobres e necessitados.”. Ele insistia que a fé é soletrada R-I-S-C-O. Wimber também disse: “Nós nunca sairemos da nossa mentalidade de classe média e faremos algo pelos pobres até que tenhamos capturado o coração de Deus por eles.”.


Carol Wimber relatou que, logo no início do movimento, John estava profundamente tocado pela necessidade de focar nos pobres, declarando que se eles começassem uma igreja novamente, o foco seria os pobres. Ela descreveu o chamado da Vineyard para servir os pobres através da dinâmica de mutualidade entre os que têm e os que não têm:


Os que não têm precisam dos que têm para seu suprimento, mas que têm precisam de os que não têm para dar significado aos dons que Deus lhes deu.


Ela também enfatizou que nós precisamos dos pobres para trabalhar a nossa própria salvação.


O Evangelho Integral e a Compaixão


Cuidar dos pobres, dos marginalizados e rejeitados com a compaixão de Jesus é uma marca distintiva de uma igreja que expressa o amor de Cristo. O cuidado com os pobres é parte do “código genético” do Vineyard.

 

A pobreza é frequentemente resultado da opressão, e o opressor final é Satanás, que usa economias, regimes e etnias. Portanto, a atividade da igreja deve ser mais espiritual do que política para combater o inimigo. O Evangelho do Reino deve ser proclamado em sua plenitude, pois Deus deseja nos salvar em todos os aspectos: somos chamados a salvar corpos e almas. A promessa de redenção é em todo nível: físico, emocional e social.
 

A Compaixão (que literalmente significa “sofrer junto”) é a motivação do coração que nos leva ao compadecimento e à ação. A compaixão se aprende fazendo a obra do Reino e exige ir além da simples simpatia, fazendo com que a igreja viva de um modo contrário a um mundo que valoriza status de celebridade, riqueza ou fama.
 

A Palavra de Deus promete bênçãos quando agimos com compaixão e justiça:
 

“O jejum que desejo não é este: soltar as correntes da injustiça, desatar as cordas do jugo, pôr em liberdade os oprimidos e romper todo jugo? Não é partilhar sua comida com o faminto, abrigar o pobre desamparado, vestir o nu que você encontrou, e não recusar ajuda ao próximo? Aí sim, a sua luz irromperá como a alvorada, e prontamente surgirá a sua cura; a sua retidão irá adiante de você, e a glória do Senhor estará na sua retaguarda. Aí sim, você clamará ao Senhor, e ele responderá; você gritará por socorro, e ele dirá: Aqui estou.” (Is. 58:6-9).


Servindo com Sabedoria e Envolvimento


Servir o pobre é um estilo de vida, e deve ser feito de modo que promova a libertação da pobreza e da injustiça. O serviço aos necessitados requer ir além da zona de conforto, praticando a hospitalidade radical e acolhendo os marginalizados com dignidade e honra.


Ao se envolver, a comunidade deve buscar o que Deus já está fazendo, em vez de pedir que Deus abençoe o que a igreja planejou. Isso inclui a construção de comunidades de fé entre os pobres, integrando-se a eles como vizinhos e amigos. Muitas vezes, o ministério começa pequeno, mas é multiplicado por Deus.


Conclusão


Cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades, e não se deixar corromper pelo mundo, é a religião que Deus aceita como pura e imaculada (Tg. 1:27). A Igreja tem sido conhecida desde o primeiro século por seu cuidado com os menores, os últimos e os perdidos, e isso pode ter sido um fator primário para o crescimento da Igreja primitiva.


O manifestar da presença e do poder do Espírito Santo em nosso meio está, inseparavelmente, conectado à Sua misericórdia e compaixão. Não podemos escolher apenas os aspectos do Reino que nos convêm, pois é impossível ter um sem o outro.

 

A fidelidade a Jesus requer que sejamos fiéis em nos lembrarmos dos pobres, em servi-los e em nos inserirmos em seu ambiente, mostrando o amor de Deus. Quando nos lembramos dos pobres e os servimos, estamos, na verdade, servindo a Cristo.
 

Perguntas para Reflexão e Aplicação Pessoal
 

1- Visão e Identificação: Como você enxerga os pobres? Você os vê primariamente como "carentes" ou como Jesus (Mt. 25:40)? De que maneira você e sua comunidade podem ver os pobres como o próprio Jesus?
 

2- Misericórdia e Julgamento: Você se sente paralisado pelo tamanho do desafio da injustiça? Você está pronto a responder à necessidade com cuidado ao invés de julgar, lembrando-se da misericórdia que você recebeu de Deus?
 

3- Contentamento e Materialismo: John Wimber advertiu que a idolatria à riqueza suga nossa energia e nosso amor pelas pessoas. Você tem vivido modestamente para poder dar liberalmente à obra do Reino e suprir as necessidades de outros?
 

4- Mutualidade e Aprendizado: Carol Wimber afirmou que os que “têm” precisam dos “não têm” para dar significado aos seus dons. O que os pobres podem lhe ensinar sobre generosidade, dependência de Deus e fé?
 

5- Ação e Risco (R-I-S-C-O): A fé se soletra R-I-S-C-O. Que passo prático você pode dar para se envolver com os necessitados, pulando do trampolim antes de ter certeza de que há água na piscina?
 

Fonte: diversos artigos, vídeos e publicações da Vineyard, compiladas por IA


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