Andy Park
Outra grande contribuição que John fez ao estilo de adoração da Vineyard foi seu passado no campo da música.
Na condição de filho único, John passava várias horas sozinho e aprendeu a tocar cerca de 20 instrumentos musicais diferentes, sendo que seu favorito era o saxofone. Aos 15 anos de idade ele já se tornara um músico realizado e, depois de se formar no colegial, começou uma carreira de músico profissional.
Em 1953 ele ganhou o primeiro prêmio no Lighthouse International Jazz Festival. Depois de concluir o primeiro ano da universidade, em 1954, John começou a perseguir a música como sua paixão. Em 1962 ele adquiriu os direitos sobre um grupo promissor chamado The Righteous Brothers e tocava saxofone com eles. Em 1964, eles lançaram o compacto simples com a música You’ve lost that loving feeling e foram convidados a tocar com os Beatles no começo de sua turnê norte-americana na cidade de São Francisco.
O amor de John pela música era óbvio, mas muito daquilo que ele viu e fez no mercado musical era completamente contrário à sua filosofia de adoração. John insistia para que os líderes de adoração da Vineyard “fizessem Jesus famoso” em vez de promoverem seus próprios ministérios. John não tinha a menor atração por qualquer coisa que cheirasse a autopromoção ou a apresentações puramente artísticas. Ele cresceu no meio de um cenário musical onde todos os instrumentistas estavam tentando impressionar uns aos outros.
John não incentivava a exibição musical que pudesse roubar a afeição que a igreja tinha por Jesus ao atrair a atenção para o líder de adoração ou para os membros da banda. Lembro-me de vê-lo descrevendo músicos seculares de jazz que se viravam para dentro de si mesmos no palco, dando as costas para a audiência. Ele viu músicos se fechando em si mesmos e tocando uns para os outros, em vez de incluir a plateia. O elitismo e a exclusividade entre os músicos era algo que estava diametralmente oposto ao coração servil que ele insistia para que os líderes tivessem.
Adoração simples e pura a Jesus era o traço marcante do início dos cultos da Vineyard. Na questão dos dons espirituais, John gostava de dizer o seguinte: “Todo mundo pode tocar”. O mesmo acontecia com a adoração. A adoração não era reservada para alguns poucos artistas talentosos, mas para toda a igreja. A adoração não era um concerto feito por um coral especial ou por um pequeno grupo de solistas. Era a noiva de Cristo reunida, adorando diante da audiência dele. Portanto, tudo aquilo que fizéssemos precisava ser acessível à igreja como um todo. Cantávamos músicas que eram simples o suficiente para que qualquer pessoa fosse capaz de cantá-las e não fazíamos uma grande quantidade de longos solos instrumentais.
A adoção do estilo rock é um exemplo clássico de reinterpretar uma forma artística contemporânea para ser usada na adoração cristã. Mas nós viramos o modelo de cabeça para baixo. Os líderes de adoração não são heróis, e sim, servos. Liderar a adoração usando o rock não é uma oportunidade de mostrar meus talentos ou de tocar minhas músicas.
Eis uma das razões pelas quais esse estilo é um vaso tão poderoso para a adoração. Wimber costumava citar um ditado de Marshall McLuhan: “O meio é a mensagem”. Ao usar o rock, estamos falando várias coisas diferentes. Uma delas é que queremos ser relevantes para a cultura popular. A outra é que nosso objetivo principal é usar esse meio para exaltar a Cristo e não o músico.
O cântico de amor
Carol Wimber se lembra dos primeiros dias, quando estava aprendendo a cantar para Jesus, e não apenas sobre ele:
“Percebemos que muitas vezes estávamos cantando sobre adoração sem estarmos realmente adorando, a não ser quando acidentalmente tropeçávamos em alguma música de maior intimidade como ‘eu te amo, ó Deus, e com minha voz te adorarei’. Foi assim que começamos a ver uma diferença entre músicas sobre Jesus e músicas para Jesus.”
Desde então, o culto na Vineyard tem enfatizado o canto ao Senhor. É como ter uma conversa com alguém na privacidade de sua casa. Jesus disse que ele e o Pai viriam e fariam morada em todo aquele que obedecesse a eles e os amasse (v. Jo 14.23). Visando a criar um ambiente propício para que as pessoas tenham uma longa conversa com Deus, adoramos por longos períodos de tempo (30 minutos ou mais) sem sermos interrompidos por coisas como avisos e anúncios.
O culto na Vineyard é caracterizado por músicas simples de amor e devoção. Muitos outros movimentos de adoração têm sido influenciados pela ênfase Vineyard nesse tipo de adoração intimista.
John sentia que Deus dera à Vineyard um dom de adoração que podia ser concedido a outras partes da igreja de Deus. Todas as vezes que John viajava para falar ou quando participava de conferências, ele trazia um líder com ele que pudesse servir de modelo e transmitir esse dom.
Acredito que essas canções de amor dedicadas a Deus são a alternativa da igreja às canções de amor do mundo. Todas as vezes que sintonizo o rádio numa emissora secular, cerca de dois terços das músicas que ouço são canções de amor. É o tema mais universal que existe.
Enquanto a típica canção de amor retrata o relacionamento romântico como resposta derradeira às necessidades de satisfação pessoal, sabemos que é uma realidade falsa. Embora Deus conceda o precioso dom do casamento como um meio de se obter companheirismo e intimidade, ele não é resposta a todas as necessidades. É espantoso ver quantas frases escuto nas músicas de amor seculares que, de maneira realista, deveriam ser encontradas apenas em músicas de adoração —
“você é tudo para mim”, “não posso viver sem você”.
Veja dois exemplos de como a igreja pode fazer uso de uma forma artística que invade nossa cultura e interpretá-la como uma forma de adoração: “Este é o meu respirar […] perdido estou sem ti” e “agora que estou junto a ti, não há onde eu queira ir. Agora que senti teu tocar, faz morada em mim.”
E claro que a questão dos sentimentos não é tudo. Cristo é o ponto focal de nossa adoração. Nele encontramos um Deus com quem podemos ser íntimos e pessoais.
Fonte: Andy Park, Em Espírito e em Verdade – Cultivando o coração do líder de louvor e adoração, Editora Vida